Pe. Carlos Alberto Chiquim
a) O ACOMPANHAMENTO:
Consiste em ajudar alguém a encontrar com suficiente clareza, o caminho e os meios necessários para uma opção vocacional madura e comprometida.
1) Para jovens que não se interrogam sobre a sua "vocação específica". Porque já optaram pela vocação de cristãos leigos engajados, o acompanhamento já foi incluído na experiência que eles tiveram nas comunidades e nos movimentos de pastoral e juvenil.
Foi neste contexto que estes jovens se capacitaram para:
• o auto-conhecimento e valorização de si;
• o aprofundamento de vivência cristã ( oração, sacramentos...);
• a escuta de Senhor ( Palavra, partilha, interiorização...);
• uma leitura dos acontecimentos em chave cristã;
• o compromisso apostólico firme e maduro na Igreja-Mundo ( I-M ).
Isso foi suficiente para que pudessem decidir e consolidar a sua vocação de leigos. Resta a eles, aprofundar e vivenciar sempre mais espiritualidade e os compromissos ligados a essa vocação. ( cf. Puebla 777-849 ).
2) Para jovens que se interrogam explicitamente sobre a sua "vocação específica", buscando o seu "lugar e missão na Igreja-Mundo", o acompanhamento obedece a um processo mais demorado e gradual, tendo o discernimento como seu elemento principal.
b) O DISCERNIMENTO:
1) O que é: é a dimensão central do acompanhamento; especifica-o e personaliza-o, permitindo o esclarecimento e amadurecimento vocacional. Consiste num processo vivido por um jovem que, julgando-se chamado por Deus e interpelado pelas necessidades da comunidade (I-M), quer definir o melhor e aprofundar a autenticidade do "chamado" e da "resposta", com a ajuda de alguém que o acompanhe pessoalmente.
2) Metodologia : articular de tal forma o processo que:
2.1) O jovem se acostume a considerar e assumir:
1) Os aspectos internos de sua vocação: conhecimento e auto-aceitação; dons e carismas; consciência das aptidões, interesses, inclinações, afetos, motivações..., com relação à vocação desejada e eventual necessidade de purificação deste quadro existencial;
2) Os aspectos externos que estão em jogo, na decisão vocacional: as necessidades da comunidade e serviços correspondentes; os acontecimentos eclesiais e sociais; as exigências das vocações específicas na Igreja Latino-Americana; as formas concretas de vida de missão, hoje;
2.2) O orientador junto com o jovem, considere:
1) O contexto vocacional:
• o histórico da vocação do jovem;
• as constantes vocacionais: sinais significativos de natureza vocacional que permanecem ao longo da caminhada;
• os pontos de convergência e confirmação vocacional a partir das mediações pessoais e comunitárias;
• o existencial do jovem: testemunho, disponibilidade, resposta
aos apelos, abertura para os outros, amor oblativo...
É muito oportuno ajudar o jovem a sincronizar reflexão e ação; criar para ele momentos e situações desafiadoras; favorecer a participação, a atividade
e a criatividade.
2) Algumas áreas de maior importância:
• a família em seus múltiplos aspectos e significações;
• a problemática afetiva: sua história e crescimento;
• a saúde psíquica;
• a coerência entre "aptidões" e "carisma-missão".
3) Algumas condições para o acompanhamento:
• que seja livre. O jovem aceite livremente o processo e se sinta livre de comunicar o que ele julga necessário;
• que seja sério. Cada decisão se apoie em motivos válidos e que seja refletida e comunicada ao Orientador;
• que seja metódico. É necessário seguir um método e um processo. Não se pode levar de qualquer maneira;
• que seja personalizante. Feito á medida de cada jovem, usando os meios adequados.
OBS.:
1 - Ao longo do acompanhamento, o mais importante é avaliar as disposições reais do vocacionado e descobrir se nele existe "aptidão para ser apto":
capacidade de educalidade e docilidade critica pala qual o jovem,
sabe integrar num processo de aprendizagem, o seu desenvolvimento
humano, cristão e vocacional, tomando parte de maneira livre e criativa.
2 - A partir de sinais vocacionais internos e externos, o único responsável da decisão vocacional é a própria pessoa interessada. Ela deve saber isso, sentir e gozar de liberdade para isso, embora não deixe de se confrontar com o Orientador. Evidentemente, na realização da decisão, devem ser consideradas também as exigências da Igreja ou da Instituição que recebe.
3 - Se, após um período bastante longo de acompanhamento — 2 ou 3 anos — o jovem continua com dúvidas, sente-se inseguro, indeciso..., é provável que não exista a vocação que ele deseja. Então, considerar melhor a dimensão psicológica para verificar se existem problemas sérios nesta área. Utilizar-se dos serviços de pessoas qualificadas.
3) INSTRUMENTO PARA ACOMPANHAMENTO E O DISCERNIMENTO
3.1) Autobiografia. Recurso válido para iniciar o acompanhamento e referencial muito bom de dados sobre a pessoa.
3.2) Entrevistas. (encontros de crescimento vocacional). Favorecem o auto-conhecimento; permitem um diálogo franco, referente a interesses, ideais, tendências, dificuldades...; ajudam a localizar as causas das incoerências do vocacionado (cf. Relação de Ajuda);
3.3) Leitura formativas e vocacionais. Vidas de santos, testemunhos dos nossos dias. Enriquecem, estimulam e despertam a generosidade;
3.4) Retiros para jovens. Momentos fortes de experiência do Senhor, de abertura para outros e para compromisso apostólico;
3.5) "Projeto de vida". Articulação humana e espiritual..., elaborado sobretudo a partir do retiro.
3.6) "Caderno de vida". Útil para fixar as experiências mais significativas da oração, do engajamento, do caminho vocacional, etc...;
3.7) Compromisso apostólico. Que seja existencial, integrador, proporcional e acompanhado;
3.8) Diretor espiritual. Pode ser o próprio orientador vocacional. O importante é que seja escolhido e fixo;
3.9) Testes psicológicos. Que sejam aplicados por pessoas competentes;
3.10) Psicólogo. Se for necessário.
c) MODELOS: Modelos que se completam e podem ser utilizados de acordo com as circunstâncias e as exigências do vocacionado.
1. Partir dos sinais vocacionais:
1.1) Ajudar o jovem a reconhecer certos sinais que indicariam a possibilidade de uma vocação específica para ele. A incapacidade de captar e compreender estes sinais, mostra que o jovem não está ainda maduro para discernimento vocacional;
1.2) Ajudar o jovem a tomar consciência e valorizar o sentido dos apelos, vivenciados sobretudo na oração;
1.3) Interpretar os sinais e apelos para descobrir seu conteúdo vocacional mais profundo.
2. Partir de elementos baseados em compromissos graduais nascidos da ação:
2.1) Utilizar a dinâmica de "ação-reflexão-ação" para engajamentos sempre mais adequados e pessoais. Se estes engajamentos — serviços — responderem ás necessidades da I-M e aos carismas do jovem, proporcionando-lhes também verdadeira alegria e bem-estar, pode-se pensar que estamos num contexto vocacional significativo: descobrir em tudo isso um apelo de Deus, que poderia ser transformado em opção definitiva de vida numa vocação laical, sacerdotal, religiosa ou missionária;
2.2) Em todo o processo, a oração é indispensável, por ser o "lugar" de encontro com Deus e com sua Palavra. E esta, um elemento referencial imprescindível para avaliar a própria ação. "Só pela luz da fé e meditação da palavra de Deus pode alguém, sempre e por toda parte..., procurar em todo o acontecimento a vontade de Deus..., proferir julgamentos corretos sobre o verdadeiro significado e valor das coisas temporais em si mesmas e em relação ao fim do homem" (A.A. 4)
3.Partir da Bíblia:
3.1) Verificar, ao longo do processo de acompanhamento ou em momentos mais intensos de discernimento, se existem no jovem "pontos análogos" ao processo vocacional que se encontra nos grandes profetas: Moisés, Isaías, Jeremias...;
3.2) Tomar por exemplo o caso de Jeremias (Jr 1,1-10) e fazer uma confrontação entre a vocação do profeta e a do jovem, destacando o que existe em comum; o chamado, as necessidades da comunidade, as dificuldades, as soluções e a opção de seguir a missão à qual Deus chama.
Tal confrontação pode oferecer segurança e clareza na busca de uma opção.
4. Partir da própria seqüência dos encontros:
4.1) Detectar e existência do chamado através das "mediações vocacionais": dados subjetivos e objetivos; sinais vocacionais; motivos e motivações; convivências experiências...;
4.2) Assumir o processo do discernimento: considerar o "chamado", á luz de personalidade global, para chegar a uma decisão vocacional amadurecida.
d) BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
• CARRARO, J. El acompañamiento vocacional. Testemonio. CONFERRE: nov/dez.1983.
• CIGOÑA, J. Ramón F. De lá. Acompanhamento Vocacional: Um caminho. São Paulo, Loyola, 1988. CNBB. Guia pedagógico Pastoral Vocacional. São Paulo, Paulinas, 1983 (estudos 36).
• EQUIPE DE PROMOTORES VOCACIONAIS. Pastoral da juventude Vocacional; as etapas da educação da fé e o discernimento vocacional. São Paulo, Loyola, 1986.
• JESUÍTAS. Guia Vocacional da Companhia de Jesus: orientações e subsídios. São Paulo, Loyola, 1986.
• SALES, José Acrízio Vale & PIGHETTI, Adriano. Retiro de Opção de vida: orientação teórico-práticas para um discernimento e opção vocacional em clima de oração. São Paulo, Loyola, 1989. admin Pastoral Vocacional