Estimados irmãos,
Neste domingo, dia em que a comunidade eclesial se reúne em volta da mesa da Palavra e da Eucaristia para celebrar a Páscoa Semanal do Senhor Jesus Cristo, as leituras da Liturgia da Palavra de nossa Celebração Eucarística apresentam, como fio condutor, a fraterna partilha do pão.
O Evangelho narra um trecho do escrito de São João (6,1-15), que apresenta um sinal realizado por Jesus, a partir da necessidade do povo que sentia fome.
A narrativa de João apresenta fatos que são considerados importantes à comunidade para a qual é escrito o evangelho: o povo que peregrina, atravessa o mar de Tiberíades, senta-se ao pé do monte e escuta o Mestre falar. São aspectos de uma nova passagem (conforme aquela passagem do povo da Antiga Aliança para a Terra Prometida).
Com sua Páscoa, Jesus inaugura a definitiva passagem da terra do pecado e escravidão para a terra da libertação, perdão e salvação.
Da mesma forma que Moisés que intercedia a IHWH para alimentar o povo hebreu com o Maná no deserto, Jesus se preocupa com aquele povo, pedindo que sentassem e se organizassem em grupos.
Sentar-se para tomar as refeições para aquele povo, de acordo com suas tradições, era demonstrar a liberdade para uma nova vida. Apenas sentavam-se para refeições os livres. Jesus é o canal da libertação da escravidão do pecado e ainda animou-os a apresentarem seus dons e partilhá-los em comunidade.
Eis o grande milagre: fazer o deslocamento da ganância da acumulação de bens para a fraternal partilha com o próximo, que gera liberdade a partir da Eucaristia.
Podemos destacar ainda dois aspectos importantes: 1º - A quantidade que sobrou deu para encher 12 cestos de pães. Isto está co-relacionado com as doze tribos de Israel: podemos interpretar que a Eucaristia que liberta da escravidão do pecado é universal, para todos. Basta assumir Jesus como aquele que liberta o homem do pecado, proporciona uma nova passagem da condenaçãoo para salvação. 2º - Após ter saciado plenamente aquele povo, esse queria conduzi-lo ao trono real. Claro! Recebendo pão de graça e com fartura, era o que aquela população queria! Isto geraria uma acomodação naquela turba, que os deixaria inertes e avessos à partilha. A concepção de Jesus era diferente dessa, por isso, Ele se afastou sozinho, subindo o monte.
Esse episódio tem como tipo o que é narrado na 1ª Leitura (2Rs 4,42-44), quando o profeta Eliseu ordena ao homem de Baal-Salisa que distribuísse os pães das primícias da terra àquele povo faminto. Aquele primeiro fruto da terra que deveria ser consagrado ao Senhor é transferido para um povo necessitado. Isto é um ensinamento que apresenta a partilha por parte do Senhor, daquilo que Lhe é consagrado para com os empobrecidos, de acordo com a boca do Profeta.
O amor fraterno que conduz a partilha entre os irmãos, é a orientação que Paulo concede à Comunidade de Éfeso, para que os mesmos vivam na mansidão e humildade, respeitando a alteridade existente na Comunidade, porém promovendo a unidade entre seus membros.
Esta é a mensagem da liturgia da Palavra deste domingo: somos peregrinos que devemos seguir a voz do Mestre que nos faz passar para a libertação, como povo que apesar das diferenças, caminha junto, partilha e pelo poder do Espírito Santo, se alimenta e se fortalece da Eucaristia rumo à Vida Eterna.