41. Murmuravam então dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.
42. E perguntavam: Porventura não é ele Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?
43. Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
44. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia.
45. Está escrito nos profetas: Todos serão ensinados por Deus (Is 54,13). Assim, todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído vem a mim.
46. Não que alguém tenha visto o Pai, pois só aquele que vem de Deus, esse é que viu o Pai.
47. Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
48. Eu sou o pão da vida.
49. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram.
50. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer.
51. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.
Continua, pelo terceiro domingo seguido, a leitura quase contínua do capítulo VI de João, prevendo mais 2 domingos. Já isso nos aponta à grande importância que a liturgia destaca para esta unidade temática do evangelho. O assunto é o PÃO. Pão multiplicado. Pão do Céu que tira a fome do mundo. O Pão da vida. O Pão que doa vida eterna.
Jesus foi procurado pela multidão e tendo compaixão dela, como ovelhas sem pastor, multiplicou os pães. Queriam fazê-lo rei. E Ele fugiu.
Agora Ele se apresenta na sua total identidade e provoca as murmurações dos Judeus. E Ele não foge mais. Revela-se. E desafia a crença dos ouvintes.
Para comer o pão terreno não precisa ter fé: basta ter a barriga vazia. E quando o pão é de graça, se come até mesmo sem ter fome!
Mas para comer o Pão do Céu, precisa ter fé. E Jesus estimula a reação dos amigos; ou aceitação ou rejeição!
A primeira murmuração, o primeiro empecilho à fé está na origem humana de Jesus! Nós conhecemos os pais dele! Jesus tem origem terrena! Como é possível que Ele descera do Céu? Os olhos humanos, as considerações puramente humanas não levam à fé, mas às críticas e distanciamento dele!
A mesma pergunta poderíamos fazer a respeito de muitos aspectos de nossa vida: como é possível crer no amor, na amizade, na sinceridade, na lealdade, na justiça? Como é possível crer num mundo tão impregnado de egoísmo, de carreirismo, de violência de todo tipo? Muitas vezes aquilo que se vê e se sofre parece maior e mais real daquilo que se sonha e se ama!
Mesmo assim Jesus provoca os interlocutores: aqui estamos falando não da realidade simplesmente visível, mas daquele que consegue nos levar à fé: o Pai do Céu! É o Pai que nos atrai! Não somos nós que nos esforçamos em acreditar nele, porque a fé é dom do Pai que Ele oferece por atração! Atraídos por amor, podemos nos deixar envolver nessa lógica de amor e, humildes e maravilhados, acolhê-lo em nossa vida! Quando nos deixamos instruir por Ele, quando nos deixamos colocar no regaço do Pai, aí nós podemos entender e aceitar que Ele nos ensine a acreditar no seu Filho Jesus!
Jesus é o Pão da vida e quem nele crer terá vida eterna! Dele devemos comer se não queremos morrer! Os israelitas no deserto receberam o maná, mas esse ajudou só como alimento para o caminho no deserto. Jesus é o Pão - sua carne, sua vida oferecida para a salvação do mundo – é o alimento indispensável para conseguir viver aqui de Céu, para sermos encaminhados por Ele para o Céu, para um dia vivermos no Céu! Sim, desde já podemos viver de Céu! Se vivermos de Cristo, Pão de vida eterna, já estamos experimentando vida eterna, já estamos saboreando a salvação, já estamos vivendo não só de pão, de coisas materiais, mas nos alimentando daquele Pão espiritual que dá vida e vida em abundância!Que Jesus, o Pão da Eucaristia, acreditado e celebrado, participado e partilhado, assimilado e vivenciado, faça de nós famintos de Céu!
Que os pais, homenageados nesse domingo, e as famílias inteiras procurem sempre o Pão da vida, que abrem brechas no Céu, mostrando e elevando para os verdadeiros caminhos da vida. De nós todos se possa dizer: “Está feliz da vida!”. Com Jesus a felicidade dos pais, das famílias, de todos se torna real! Na presença invisível, mas real de Jesus na Eucaristia, está a fonte da felicidade e da vida plena.
Pe. Daniel Soardo