06/09 XXIII Domingo T Comum

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Data de Publicação: 2 de setembro de 2009
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“Abre-te!”

31. Ele deixou de novo as fronteiras de Tiro e foi por Sidônia ao mar da Galiléia, no meio do território da Decápole.

32. Ora, apresentaram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse a mão.

33. Jesus tomou-o à parte dentre o povo, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua com saliva.

34. E levantou os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: Éfeta!, que quer dizer abre-te!

35. No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente.

36. Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam.

37. E tanto mais se admiravam, dizendo: Ele fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!

Apenas iniciamos o mês de setembro e para nós católicos é o mês no qual destacamos a importância da Palavra de Deus em nossa vida.

Deus fala através de Sua Palavra na natureza e na história, de Sua Palavra escrita nos livros sagrados, de sua Palavra que é Jesus Cristo, Palavra eterna de Deus Pai.

À luz do período que estamos vivenciando, podemos ler como decididamente oportuna a Palavra do evangelho de hoje.

Jesus, Palavra Viva de Deus, vá no território da Decápole, das 10 cidades, no sudeste da Galiléia, terra de pagãos, daqueles que não conhecem a Palavra, a Revelação de Deus como o Povo eleito, Israel. Mesmo assim Jesus é conhecido: algumas pessoas levaram até Ele um surdo-mudo para que lhe impusesse a mão! Pagãos que reconhecem que Jesus tem algo diferente: uma força, um amor, uma dedicação desmedida para com os pobres e doentes! Eles não perguntam, não pedem licença, não mandam pedir...simplesmente eles mesmos vão ao encontro de Jesus! Meu Bom Jesus, quantas vezes os cristãos mandam os outros para igreja: os pais mandam os filhos; os esposos mandam as esposas; os vizinhos mandam os vizinhos: “vai você para frente, depois eu vou! reze por mim! Vai ter batizado na igreja? Chame o padre para dar uma bênção”!

Jesus parece isolar o portador de deficiência – era surdo e por isso mudo, incapaz de falar corretamente – e exerce nele seu poder curador! Em primeiro lugar colocou dedos nos ouvidos! Precisava prioritariamente que ele aprendesse a escutar! Depois colocando saliva: precisava que ele aprendesse a falar.

Elevando os olhos ao céu: como em outros contextos, Jesus se direciona ao Pai do Céu para invocar sua intervenção, seu bem querer, seu poder transformador e para agradecer e louvar!

Depois suspirando: expressão de paixão, carinho, ternura atenção para com os sofrimentos humanos e envolvimento total de Jesus naquilo que está fazendo...

“Éfeta! Abre-te!”: Palavra de autoridade de Jesus, igual à de Deus, porque aquilo que Ele fala se realiza 100%!

E a transformação acontece imediatamente: aquele que era o surdo-mudo começou a ouvir e a falar perfeitamente! Tanto é que não consegue calar e todos terminam, admirados, dando glória e louvor a Deus, porque só aquilo que é dEle sai como “tudo bem feito!”

Para nós que ouvimos o Evangelho podemos entender algo de bem adequado também para o nosso tempo!

Jesus é e tem uma Palavra que vai além de qualquer fronteira! E pode ser que os piores surdos e mudos se encontrem própriamente dentro de nossas casas e igrejas, como aqueles que não sabem entender a linguagem de Deus e se tornam insensíveis e incapazes de comunicar as maravilhas de Deus!

'Nós nos tornamos aquilo que ouvimos!': se dermos escuta ao mundo, nos tornaremos como o mundo! Se escutarmos o demônio como Eva, nos tornaremos como Eva; se escutarmos Deus como Maria, nos tornaremos como Ela capaz de acolher e gerar a Palavra, Jesus em nós!

“Abre-te!”: nós também temos que reconhecer que somos surdos diante de Deus: quando não estamos escutando e meditando sua Palavra, dando mais tempo e espaço, valor e seguimento às palavras sedutoras deste mundo!

“Abre-te!”: é o grito suspirado de Jesus que quer nos libertar de todo fechamento para com nossos irmãos! Quantas vezes estamos surdos, cegos e mudos diante dos sofrimentos de nossos irmãos! O grito dos excluídos do dia 07 de setembro parece estar sempre mais fraco: não porque acabou a pobreza, mas quem sabe porque talvez aumentou a insensibilidade e a carência de partilha, generosidade e luta para um mundo mais justo e fraterno!

“Abre-te!”: à Romaria da Terra e da água em Codó, como também muitas situações de falta de dignidade, de justiça, de fraternidade e de paz, nos interpelam para que, ouvindo o grito dos oprimidos e com os olhos, ouvidos e línguas soltos, possamos falar corretamente as exigências de Deus para com todos!

“Abre-te!”: que o imperativo de Jesus e o grito dos excluídos haja em nós como oportunidade preciosa de deixar nossa surdez e mudez, para proclamarmos as maravilhas de Deus, construindo juntos com paixão o reino de Deus sem fronteiras!

Pe. Daniel Soardo