07/02 V Domingo T. Comum
Evangelho de Lucas 5,1-11
“Avance para as águas mais profundas e lancem as redes para a pesca”
Jesus, depois de anunciar seu projeto missionário, sua opção pelos pobres, sua luta contra toda tentação que afeta a dignidade humana, sobretudo a da riqueza, passa pela cidade de Cafarnaum, onde encontra resistência, deboche (“não é ele filho de José”...), falta de fé (cap. IV), mas aonde também começa sua atividade de libertação. Liberta da escravidão da lei, aquela que não favorece a vida dos homens.
De onde lhe vem esta força... Da oração e da vida de comunhão com Deus Pai. Ele não procura o sucesso humano, mas sim a realização do projeto e da vontade do Pai. É nessa oração que ele encontra simultaneamente a sabedoria divina e a proximidade com o povo, que o procura com tanta insistência, porque grande é a fome de Deus e de vida plena.
No texto de hoje, a multidão, ferida, machucada, menosprezada, mas sedenta de escutar a Palavra de Deus, procura e por isso aperta tanto Jesus que Ele “inventa” uma extraordinária caixa de som! Sobe num barco, o de Pedro, e um pouco afastado, começa a ensinar! Que interessante ver Jesus procurar o local adapto para se fazer entender por todos! Pedagogia bem prática e funcional.
A Palavra não é genérica, anônima e muito menos ineficaz! Jesus fala pra todos, mas começa a chamar alguém na partilha de sua missão, na proclamação e vivência de sua vida! A Palavra torna-se apelo, envolvimento, compromisso arriscado e empolgante! Jesus termina de conversar com a multidão, mas convida Pedro para as águas mais profundas!
Ó bom Jesus, inquieto e inquietante, que quer sempre mais de seus eleitos!
Chama pescadores e faz do barco deles um púlpito!
Chama os pescadores e os convida para águas mais profundas!
Força a mão!
Ele não era pescador, mas os desafia, mandando-os para a pesca!
Pedro replica dizendo amargamente que naquela noite (no horário mais propício para a pesca!) não tinha apanhado nada, mas que pela confiança na Palavra dele, iria jogar as redes!
Qual surpresa!
Apanhando tamanha quantidade de peixe, como nunca tinha acontecido antes!
Só pela força da palavra de Jesus!
E pela confiança dos chamados!
Pedro que, mais os outros, percebe a distância entre a vida de Jesus e a sua realidade de pecador!
Jesus não se espanta pela pequenez dos eleitos, porque tem, para cada um, uma proposta grandiosa que sabe transformar suas vidas.
Como já foi dito, Jesus não escolhe os capacitados como seus eleitos, mas escolhe pessoas simples, pobres, desprovidas, para capacitá-las para uma grande missão!
Assim Jesus transforma estes pescadores, que quase certamente não eram pessoas muito devotas e nem sequer preparadas culturalmente, nos principais protagonistas de sua missão!
De pescadores para pescadores de homens, capazes com suas palavras e exemplo, com sua dedicação e fraternidade, revolucionar o mundo do mal (representado pelo mar, com todos seus perigos e ameaças à vida) e transformá-lo segundo o projeto do Reino de Deus proposto por Jesus.
Para estes pescadores, essa foi a pesca mais abundante e a mais inútil, aliás a mais “prejudicial”... porque deixaram tudo e seguiram a Jesus!
Para nossa vida.
Qual é o tamanho de nossa procura de Jesus?
Já apertamos Jesus com nossos desejos, atenção, tempo, coração, disponibilidade?
Já ouvimos o forte convite de Jesus para as águas mais profundas, para os desafios enormes que o mundo nos proporciona?
Confiamos mais em nossas fraquezas ou na Palavra transformadora de Jesus?
A escuta da Palavra nos apela ao seguimento de Jesus, ao compromisso sério com a vida do povo sofredor, na busca do Reino de Deus: aceitamos este desafio ou queremos uma religião...egoísta, embutida só de promessas de prosperidade, tranqüilidade e interesse pessoal?
...Jesus não oferece riquezas e sim uma...abundante missão!
Que todos nós possamos sentir forte o chamado de Jesus e que tenhamos a coragem e a perseverança de irmos sempre para as águas mais profundas da vida, levando muitos a Cristo e através dele à salvação.
Pe. Daniel Soardo

