Deus é surpreendente. Não vê as coisas pela nossa janela. Não usa óculos. Vê tudo pela sua autêntica verdade. As nações precisam de códigos de leis. Publicam as proibições e obrigações dos cidadãos. É uma maneira prática de organizar a sociedade e regular a sã convivência social..
Os judeus também tinham seu código de normas jurídicas. As leis que vinham do tempo de Moisés eram pormenorizadas e rigorosas. Tanto mais estrita a observância, tanto mais era garantida a conquista da justiça. A Aliança se cumpria na observância humana e na gratuidade divina. Mas a morte de Jesus rasgou o véu do Templo, marcou o fim da antiga lei. A Ressurreição de Jesus é o princípio de um mundo novo. Não mais só a lei, mas sim um regime de amor e liberdade. Jesus é mais que um legislador. Instaura uma nova ordem que atinge não só os atos que se vêem, mas a fonte de tudo, o mais íntimo do ser humano, o mais íntimo do coração. Um novo sistema, um estilo de vida fundamentada na comunhão íntima com Ele. Jesus traz uma nova ordem, critérios diferentes, novo estilo de vida mais profundo e exigente. Quem O quiser seguir tem que entrar com tudo. Não deixar nada fora de Sua influência.
Portanto, um horizonte de imensa grandeza e dignidade de sermos filhos no Filho, gratuitamente elevados com Sua graça. Seu fardo parece mais pesado, infinitamente mais exigente que o defendido e aplicado pelos fariseus e escribas da Lei, porque penetra até os pensamentos, os sentimentos, os desejos impuros... Mas Ele é Senhor, conhece nossas ânsias e nossa fragilidade. Não comunica uma moral. Pede, sim, uma orientação de vida, um espírito, uma entrega total, uma série de valores que ressaltam da infinita misericórdia e o infinito amor do Pai.
Os seguidores de Jesus são pessoas enxertadas n’Ele, possuídas pelo Espírito, impulsionadas pela Sua graça. Então deviam ter uma vida sem falhas, uma coragem sem limites, uma generosidade sem reticências. Porque isso não acontece pela fragilidade humana, a graça divina completa. Vem em socorro de nossa fraqueza. Situação bela que nos devia empolgar, entusiasmar e levar a corresponder à sublime vocação de comunhão com Ele. “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo.15,5).E S. Paulo dizia: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fil.4,13). “Vivo, mas já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” (Gal.2,20). “Ele me amou e se entregou por mim” (Gal.2,20). Paulo compreendeu bem a novidade da vida em Cristo. Nós, não. Somos ainda maus seguidores. Longo caminho nos resta. Temos muito que aprender. Somos calculistas demais. Pomos muitas reticências. É preciso jogar tudo. Cristo merece!
Fonte: Paróquia de Chapadinha-MA