SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS.

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Data de Publicação: 2 de janeiro de 2012 às 09:08
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1ª Leitura: Nm 6,22-27
Salmo de Resposta: Sl 67[66],2-3.5-6.8
2ª Leitura: Gl 4,4-7
Evangelho: Lucas 2,16-21.

Por Providência Divina o ano de 2012 se inicia em um dia de Domingo – O Dia do Senhor, o Primeiro da Semana – Dia em que a Nova Criação em Jesus Cristo é resgatada do pecado e da condenação, graças a Sua Paixão, Morte e Ressurreição.
Façamos então desse ano, um novo começar, um novo propósito, uma nova esperança, uma nova Vida com novas metas a serem alcançadas. Que a nossa nova vontade seja essa: estar em conformidade com a vontade de Deus! Encerra-se também nesse dia aquilo que a Igreja denomina Oitava de Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo: Celebrar em oito dias um ÚNICO DIA – O Nascimento do Salvador!
O Mistério da Encarnação une-se ao Mistério Pascal em Jesus Cristo, que faz do mundo “um palco da sua ação redentora”. O mesmo entra na história da humanidade e leva a todos os homens a mensagem da Boa Nova: Deus é Amor!
Nessa solenidade celebrada hoje, 1º de janeiro, lembramos na conclusão dessa oitava natalina, a pessoa de Maria Santíssima. Ela hoje é lembrada como Maria Mãe de Deus.
Este título traz em si um dogma que dependeu de dois Concílios: o Concílio de Nicéia (325 d.C) e o de Constantinopla (381 d.C). Os mesmos trataram sobre mistério da consubstancialidade (O termo consubstancialidade é o correspondente ao termo grego homoousios - Ηομοουδιος, que no original provém da junção de homos, que significa “o mesmo”, e ousios, proveniente de ousía, que significa substância ou essência. Assim, o termo tem o sentido de “da mesma substância, com a mesma essência”) - de Deus uno e trino, Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
No mesmo século, século IV, já ensinava o bispo Santo Atanásio: "A natureza que Jesus Cristo recebeu de Maria era uma natureza humana. Segundo a divina escritura, o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso". Fazendo a relação deste mistério da encarnação, no qual o Verbo assumiu a condição da nossa humanidade com a realidade de que nada mudou na Trindade Santa, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma; sem aumento, sem diminuição; é sempre perfeita.
Nela, é reconhecida uma só divindade. Assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo. Por isso a Santíssima Virgem é a Mãe de Deus. (Theotókos / Τεοτόκοϛ- Sua tradução literal para o português incluí "portadora de Deus". Theotokos é composta de duas palavras gregas, Θεός - Deus e τόκος - parto).
Isso se traduz como portadora de Deus ou a que dá à luz Deus. Na teologia calcedoniana Maria é a Theotokos: seu filho Jesus é simultaneamente Deus e homem, divino e humano,referindo-se à Encarnação, quando Deus assumiu a natureza humana em Jesus Cristo, sendo isto possível graças à cooperação de Maria Santíssima, declarada no terceiro Concílio Ecumênico em 43 d.C, como Santa Maria a Mãe de Deus.
A Liturgia da Palavra dessa Celebração Eucarística a partir do Evangelho de Lucas no capítulo 2, versículos 16 a 21, nos apresenta as figuras dos pastores, Maria, José e o recém-nascido, deitado na manjedoura, conforme o próprio anjo havia anunciado. Lucas utiliza a figura do pastor, esse rejeitado, vivendo a margem das cidades, fora dos grandes centros, comparando-os com os destinatários de seu Evangelho. Já que o redator sagrado do corpus lucano, destina seus escritos ao povo não-judeu, mas também que se considera “amigo de Deus” (Teófilo).
Há aqui uma reintegração do excluído numa nova proposta de sociedade em que todos têm a mesma dignidade, a partir da pessoa de Jesus. Os mesmos deixam as margens e vão à cidade de Belém contemplar (adorar) o Menino Deus deitado na manjedoura.
Obedece-se também os ritos judaicos, mostrando a importância dos mesmos na vida do Senhor: todo menino ao completar oito dias de vida deve ser apresentado ao Templo, circuncidado e receber seu nome – identidade que o acompanhará por toda a vida. Jesus é circuncidado em obediência à Lei pois Nele encontramos a plenitude da mesma.
Para Ele será concedido a bênção de IWHW, que enriquecerá a humanidade com a Paz e seu Amor, conforme o que foi dito aos primeiros Patriarcas do Antigo Testamento. Essa é a bênção que IHWH concede pelo sacerdote de Israel sobre o povo, que é um voto a toda criação. Para quem se coloca diante dessa bênção, Deus deixa brilhar “a luz de sua face”, sua graciosa presença. Nada mais apropriado, para o início do ano, deixar-se conduzido e plenificado pela bênção de Deus!
Dessa bênção surge a liberdade cristã, pois Jesus Cristo veio para nos tornar livres (Gl 5,1):. “Nascido de mulher, nascido sob a Lei” (Gl 4,4), ensinando-nos a perceber e interpretar a Lei como dom do Pai e não como escravidão.
O contexto da carta escrita por Paulo aos gálatas é que na época queria-se impor aos cristãos
um jugo tão pesado em relação ao pecado e a Lei, que nem era aplicado aos judeus. “Já não somos escravos”, diz Paulo, mas filhos; portanto, livres. O Filho de Deus tornou-se nosso irmão, nele temos o Espírito que, em nosso coração, ora: “Abba, Pai” (4,6 – provavelmente uma alusão ao pai-nosso rezado nas comunidades, cf. Mt 6,9-13; Lc 11,2-4 cf. Vida Pastoral, Dezembro de 2011).
Então queridos irmãos, deixemo-nos ser conduzidos pelo Espírito de Deus ao estábulo onde está a manjedoura com o Menino-Deus! Tenhamos como os pastores um deslocamento de excluídos (daqueles que estão à margem , afastados) para a uma nova postura: Adoradores e contempladores; homens que por causa da Bênção de Deus, o Lógos Encarnado, encontra a liberdade dos Filho de Deus! Que essa seja para nós a Graça Divina derramada ao longo dos dias de 2012! Que Maria Santíssima nos ensine a ver em Jesus Cristo a figura do Redentor de nossas vidas!


Louvado seja Nosso Senhor † Jesus Cristo!

Padre Heitor W Fraklin da Costa de Morais.
Arquidiocese de São Luís (Ma).